sábado, 29 de março de 2014

Teste .


Estava aqui ontem, no mesmo lugar e na mesma posição que agora, pensando no
que faço, como faço e onde faço. Normal. Quando o querido de Porto Alegre me
chamou no chat perguntando quédi eu, porque estavam desesperados por uma 
negra, porque a negra que tinham contratado mentiu, dizendo que nunca 
tinha filmado pra marca concorrente. Quer dizer, estavam querendo o koo dele 
na produtora. Eu ri. Muito. Fiquei imaginando a cara de fúria dos diretores pra ele. 
E eu disse que estava aqui na Cidade Mágica, pensando no que fazer, como fazer 
e onde fazer. Daí ele perguntou em quanto tempo eu conseguiria chegar no Rio, 
e me mandou correr. Corri, mas meio sem saber se daria pra chegar a tempo 
porque o teste era na Barra. E não importa nunca de onde você está chegando, 
a Barra é longe pra caraleo. Mas corri. No caminho pedi um desejo de sorte pro 
meu moço, e fiquei feliz de receber em forma de áudio. Escutei pelo menos dez 
vezes. Daí que depois da eternidade passar consegui chegar, e fiquei esperando 
minha vez. 

São muitos os motivos pra eu odiar fazer casting. E o principal é pela 
minha autoestima ser tão baixa. Como sempre nesses testes a gente assiste as 
concorrentes atuarem também, quando chega na minha vez eu murcho e não 
consigo fazer nem 10% do que eu sei que sou capaz. Quer dizer, nunca passo. 
Mesmo saindo dos testes sempre tendo a certeza que sou a mais bonita, porque 
sempre me elogiam muito e eu vejo que não falam o mesmo para as outras. 
Mas isso quase nunca basta. 

Cinco minutos antes de chegar a minha vez, fiz questão de escutar mais uma 
vez os dois segundos de áudio que me desejavam sorte. Tinha certeza que era 
o único sincero. O único que eu poderia contar. E foi o teste mais tranquilo 
da minha vida. Não estava nervosa nem tímida, fiz o que tinha de fazer e 
fiz o meu melhor. Essa é a primeira vez que posso ter certeza que se eu não 
passar, é porque não era o perfil que precisavam. Porque a minha parte eu fiz. 
E isso foi tão tão incrível pra mim. Mas nada disso impediu que eu chegasse 
em casa morta, e acordasse hoje destroçada. Meu corpo sente tanto 
quando eu passo por coisas mentalmente desgastantes. É quase como se eu 
tivesse feito um esforço físico absurdo. Mesma sensação, mesma dor. 
Sei que pode ser difícil imaginar e entender essas crises, mas eu mesma quase 
não acredito. Só consigo pensar que tudo já passou, e que se eu
pegar esse trabalho vai ser muito demais. O próximo passo é ser mais 
otimista, e imaginar que é tão possível ser eu. Tão possível.

Mas hoje nem quero pensar mais nisso. Vai só ficar estampado nos meus 
pensamentos o rosto dele, quando eu contei ainda de manhã toda sorridente que
antes de entrar em cena escutei o seu "Muito boa sorte, meu amor", e que foi o 
motivo de eu ter ido melhor do que eu sempre sou. O seu sorriso pra mim é 
absolutamente mágico, moço. Não me deixe sem ele nunca. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário