quarta-feira, 23 de abril de 2014
recomeço.
Te reencontrar não foi fácil. Foram meses te negando e tendo
a certeza que você não faria mais parte da minha história.
Mas aquela atitude, e a mensagenzinha como quem não queria nada
chamou minha atenção. Ou você era completamente louco, ou
tinha mesmo mudado. E eu quis pagar pra ver.
Foi necessário deixar claro como as coisas teriam que
ser diferentes pra que desse pra acontecer, desde lugar
de encontro até a conversa. E foi tudo tão perfeito. Tinha que
acontecer, não tinha? A gente não podia simplesmente deixar
de se falar. Como isso funcionaria? Não consigo imaginar.
Depois que nos despedimos, fiquei muito mais leve,
com a certeza de que tudo está se acertando. Na vida. Mas mesmo
assim as coisas não estão fáceis ainda, e eu sei que a nossa
aproximação não tem estabilidade nenhuma, e que eu posso
me machucar de novo. Eu te pedi pra me prometer que nunca mais
brigasse comigo de novo, e você disse que não poderia prometer
isso pra ninguém. Nada melhor que a sinceridade, eu sei.
Mas não existe nada mais feliz do que pessoas que pedem
desculpas umas as outras, e fazem as pazes. Nada pode ser mais
leve do que ter a certeza de que fiz o que era mais certo.
Só por garantia, depois da despedida passei na ouvinte
querida e marquei um horário. Já estava mesmo na hora de voltar.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Por causa de uma perda do voo do meu papai e uma tentativa minha de ajuda, o dia inteiro se tornou nosso. No fim das contas eu não pude ajudar, e voltamos pra Cidade Mágica juntos. Não me lembro da última vez que conversamos tanto, sobre tudo. A coisa mais importante que tem acontecido nos últimos dias é a nossa aproximação. O pai mais chato do Mundo inteiro e a filha mais chata e respondona. Só bastou um pedido de desculpa sincero pra que toda barreira e gelo se dissolvessem. Nos tornamos assim, perfeitos outra vez. Somos perfeitos um para o outro. Hoje quando soube da morte do tio, fiquei horas pensando em como
vou me sentir no dia que você se for. Espero muito que esse dia demore tanto que eu nem consiga imaginar, porque ainda preciso te perguntar tantas coisas,
papai, ouvir tantos conselhos e te responder tantas malcriações. Não estou nem perto de estar pronta pra te ver partir. Nem perto.
terça-feira, 15 de abril de 2014
filó
O dia é friozinho e cinza por aqui. Dia perfeito pra
acentuar a melancolia. Aqui encolhidinha e abraçada pelo meu
roupão de pelúcia, fico me perguntando o porque de não
poder ir na rua fazer as coisas que preciso vestida assim.
Nada me deixa mais confortável do que estar dentro da minha
pelúcia. Seria muito feliz...
A saia de filó que pedi pra costureira fazer fica pronta
na sexta, soube hoje. E mesmo não tendo lugar nenhum pra usar,
e nem tendo a blusa perfeita pra combinar, essa é a única coisa
na vida que estou entusiasmadamente esperando - Pelo menos é a
única coisa que sei exatamente quando chega pra mim -
E provavelmente vai ser o maior motivo de alegria da semana.
Não pode estar certo, pode?
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Decidi ficar. Preciso dos queridos, preciso da Cidade Mágica. Sei que vou sofrer sem dinheiro e que todos os projetos vão ficar longe de se tornarem reais, mas nada se compara com a alegria e energia de estar cercada por pessoas que te amam. Algumas delas até incondicionalmente. Não poderia viver longe disso.
Estou trabalhando com a amiga criadora agora. Não é nada oficial, nem salário fixo existe, mas comigo as coisas sempre aconteceram assim mesmo... Aos poucos e sem fazer ideia do que vai virar. Mas eu estou contente. Eu a amo, ela confia em mim, e eu amo fazer arte. Não tenho o que temer. Semana passada aconteceu o desfile da coleção preview Outono inverno, e foi lindo participar como coordenadora e modelo. O melhor foi poder sentir a gratidão dela estampada em cada gesto, ação e palavra de carinho. Estive tão ocupada e cansada que hoje estou aqui quase morrendo de tédio e melancolia por estar o dia inteiro no computador. Não me lembrava como era me sentir útil. Essa pode ser a maior oportunidade da vida. Acompanhemos.
sábado, 12 de abril de 2014
Pois é, não passei no teste. Já chorei o que precisava, encolhidinha e com soluços. Mas pra
compensar a má sorte de cada dia, filmei ontem um comercial que não precisou de casting. Uma miséria
de cachê, mas é melhor do que chupar o dedo. O comercial pra que fiz o teste está sendo filmado em
Porto Alegre, e ninguém pode imaginar o quanto quero estar no Sul. Aquela energia que só existe lá,
seria uma boa quantidade da dose que preciso pra cintilar um pouquinho. Fiquei mais triste por isso,
do que pelo cachê. Saudade danada de escutar uns bah, uns tri e uns afudê. Saudade.
Mas que dia péssimo o de hoje. Coração apertado o dia todo. E são por tantas coisas que morro de
preguiça de citar. Muitas delas qualquer um ta cansado de saber. Que a vida ta uma merda, que to longe
do amor da vida, que voltar a depender dos meus pais está cada dia mais insuportável, que eu to certa
de que sou inútil... essas coisas. Outras das coisas ainda não digo. Pra ninguém. E talvez seja a
causa de me sentir tão mal sempre, mas continuo assim fechada por enquanto.
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