quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

depois de amanhã.

A melhor hora de uma contagem regressiva de dias, é quando a gente já pode falar - Já está chegando! Já é depois de amanhã! Porque depois de amanhã é muito muito perto. Depois de amanhã é quase amanhã. E o amanhã é daqui a pouco. Quer dizer. Depois de amanhã já é quase hoje. Estão me acompanhando? Acontece que depois de amanhã vou estar com o meu moço. Vão ser quinze dias de felicidade plena. Meu único desejo é que o tempo passe devagar. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

the end.


Eu tinha 14 anos. 15 no máximo. E eu lembro ainda da 
primeira vez que te vi, na praça principal da Cidade Mágica 
distribuindo os folhetos do primeiro ano do seu projeto tão amado. 
Ainda tenho esse folheto. Talvez eu ainda o guarde, mas não 
tenho a mesma vontade de me lembrar de tudo com carinho 
como antes. Porque um dia a gente cansa. 
A gente cansa da indiferença, cansa de se sentir aproveitada, 
cansa da superficialidade, cansa de não significar nada. 
Estava presa por você desde o primeiro encontro. 
Depois daquele beijo roubado na escada do Piratas que calou 
alguma frase sem importância minha, tudo o que eu quis foi ser sua. 
E tudo o que você não quis foi ser meu. Mas sempre que você me 
chamava, não importava o que eu estivesse fazendo eu estava lá.
Mesmo sabendo que não deveria, que eu estava me maltratando 
agindo assim. Mas achava que me arrependeria se não fosse. 
Citava várias desculpas pra mim mesma dentro da minha cabeça. 
Mas a desculpa que sempre vencia o bom senso, é que eu poderia
brincar e me aproveitar de você do mesmo jeito que você fazia comigo. 
Eu realmente achei que esse encanto nunca acabaria, mas aí você 
colocou em risco uma das minhas amizades mais queridas, 
mesmo que distante. Não merecia isso de você. 
Além de filho da puta você ainda é fofoqueiro. As coisas que 
eu dizia pra você, mesmo sem poder, não eram pra ser espalhadas 
por aí e eu não imaginava que você precisava ser avisado. 
Foi tudo invenção, diga-se de passagem. Até isso você teve de mim. 
Mentirinhas pra tentar conseguir algum sentimento seu, ainda que 
tão sem importância pra mim. Por sorte ela é uma das pessoas mais 
maravilhosas do Mundo inteiro, e esperou pacientemente minhas 
explicações, mesmo eu merecendo o maior dos castigos. 
Mas felizmente isso foi o fim. O fim de qualquer sentimento 
nojento e doentio que sentia por você. 
Já jurei de pé junto pra mim pra sisi e pra isla bonita, pelo 
menos umas cinco vezes, que não iria mais falar com você. 
Fracassei todas essas vezes. Mas hoje não vou jurar pra ninguém, 
nem pra mim. A partir de hoje nós simplesmente não existimos
mais um para o outro. Nós já não existimos um para o outro há 
anos em redes sociais, porque você me bloqueou em uma das vezes 
que falou que nunca mais falaria comigo, e não desbloqueou depois 
de me procurar outra vez. Então você só vai saber que não existimos 
mais um para o outro quando me mandar uma mensagem para o 
meu celular, e a resposta não chegar no seu. E aí quando você 
perceber que não vai ter uma resposta, você vai ligar. 
E eu não vou atender. Vou receber algumas mensagens mais, 
com palavrões com certeza, e mesmo essas não vão ter retorno. 
E vai ser bem aí, nesse momento, que você vai ter certeza que 
nós não existimos mais um para o outro. Nunca mais.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

sete meses depois .

Acordei com o toque do celular. Peguei meio sem pensar com todos os sonhos loucos que tive ainda passando pelos meus olhos, e precisei de dez segundos pra entender o que era aquela mensagem. Dez segundos e pelo menos cinco piscadas de olhos pra entender que aquela era a mensagem que mais quis receber em quase sete meses. Era a data exata que meu moço vai vir me ver. 

Fiquei tão feliz que não soube demonstrar. Fiquei sem saber como agir meio em choque e você me achou estranha pelo skype, mesmo já conhecendo todas as nuances das minhas expressões e tons de voz. Achou que me veria muito mais feliz e me perguntou: "Giura?" E eu tive que jurar que estava feliz. A verdade é que eu estava mais feliz do que achei que fosse possível nos últimos meses.

Precisava dessa certeza. Precisava contar os dias, as horas e os segundos que faltavam pra eu ter de volta a mesma sensação que tinha quando ficava embrulhada no seu abraço gigante. Agora eu posso. Fazer uma contagem regressiva vai ser como soltar a respiração de pouquinho em pouquinho, até ter a certeza de que o próximo ar que eu for respirar vai ser junto de você. 
Faltam oito dias pra eu estar com o meu amor.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

madrugada .

São 2:18 da manhã. Acabei de desembarcar. Neste exato momento estou sentada no chão frio do aeroporto, carregando o celular, com fome, com sede, cansada e com sono. Ah! e sem a minha mala. Ninguém sabe o que aconteceu, mas todo mundo que veio de Cuiabá está sem a sua mala. Podem ter tirado minha mala em Campinas quando o avião pousou pra conexão, ela pode ter saído correndo - principalmente porque a minha mala é uma vaca que finge ser uma mala - ou pode nem ter sido despachada. Ninguém sabe. Terra de gente lerda, tá no sangue. Nada se pode fazer. 
Só podemos nos conformar que moramos num país incrivelmente lerdo e seguir assim. Lidando.  

Se eu estou reclamando? Nunca! Estou indo pra Cidade Mágica, me esqueci de contar. Como poderia reclamar? Vão ser cinco dias inteiros de Rio de Janeiro. Vou estar com os queridos dos queridos, vou me torrar no Sol que só existe aqui, me enterrar na areia da praia, vou comer feijão preto até dar dor de barriga, vou sorrir por nada, vou beber cair e levantar, vou ser felixxx mermão! Enquanto eu terminava de escrever esse texto, depois de preenchermos o boletim das malas desaparecidas, a moça da companhia muito louca que não sabia quede a mala do povo todo, veio com a notícia de que nossas malas estavam sim no avião que viemos. Mas que estavam escondidas atrás de caixas que a companhia estava trazendo. - whaaaaat? - E minutos depois lá veio ela toda saltitante pra devolver a minha vaquinha. 
Quer dizer. A vida é melhor do que eu pensava. A vida é linda, minha gente.

Agora são 3:00. Vim comer antes de ir pra casa, e caramba. O pessoal que trabalha na lanchonete está ouvindo música. O Rappa, Legião Urbana, Pitty e Charlie Brow Jr. Do Chorão já tocou Me Encontra, Lugar ao Sol e agora ouço Longe de Você... A música que sempre canto pro meu moço. A temperatura está perfeita, o bolo de aipim está uma delícia, e a trilha sonora está de me fazer chorar.
Em poucas horas tudo está ficando tão perfeito que mal posso acreditar. Energia bem boa. Estou no Rio de Janeiro!
E é Lua é cheia. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Saudade .

Uma espécie de lembrança nostálgica, lembrança carinhosa de um bem especial que está ausente acompanhado de um desejo de revê-lo ou possuí-lo. Uma única palavra para designar todas as nuanças desse sentimento. Se a palavra saudade não existisse, eu a inventaria.


sábado, 8 de fevereiro de 2014


Hoje acordei tensa. Literalmente. Como se eu tivesse carregado uma mochila de 20 quilos por 10 quilômetros. Fiquei o dia inteiro pensando o por que disso. Não me lembro de mochila nenhuma. Junto com essa tensão, o coração acordou mais pesado que o normal. Saudades do meu moço, saudades da Cidade Mágica, saudades dos meus pais. 42 minutos de Skype e áudios da alegria de casa amenizaram o peso, mas no fim do dia já estava transbordando. Sentia que iria explodir, mas aí chorei. Chorei como nunca tinha chorado antes. Um choro guardado, que estava louco pra sair mas eu não deixava. Foi quente, foi forte, foi um alívio. Na mesma hora senti meus ombros mais leves, não doíam mais. Prometi pro meu corpo nunca mais guardar um choro. Não importa onde eu estiver, e nem com quem estiver. Choro não se guarda. Lava a alma. Acalenta.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014


Urano e Plutão estão em conflito, e é por isso tanta tensão. Susan querida me explicou e já deixou claro que dura até o inverno esse inferninho. 
Estou no lugar errado, com pessoas erradas, vendo claramente os dias passando por mim sem que eu dê sentido nenhum pra eles. Está tudo errado. Isso está óbvio pra mim, e pra qualquer um que tenha bom senso. Mas essa sou eu. Sou fraca o bastante pra voltar pra Cidade Mágica e enfrentar a realidade de que irei com uma mão na frente e outra atrás, mas sou forte o bastante pra aguentar todo esse absurdo e ter tempo e alguns meios de seguir outro caminho. 

Só me resta fazer o que faço de melhor desde que nasci. Finjo que nada está errado. E se eu segurar a respiração mais um pouco, vou passar por esses dias ilesa. As consequências vão aparecer uma hora ou outra, mas até lá eu consigo algo que seja tão tão bom, que tenha o poder de amenizar essas sequelas. 
E assim a vida segue.