terça-feira, 25 de março de 2014

balança .


Cada segundo dessa semana está sendo detalhadamente observado numa minuciosa análise. Toda gargalhada, 
sorriso bobo, choro - seja ele de felicidade, tristeza ou raiva - toda dorzinha no coração depois 
de uma respiração profunda, todo nó na garganta e toda sensação de felicidade por estar na Cidade Mágica. 
Tudo isso vai ter que ser medido, pesado e catalogado, pra ser comparado com a minha vida em Cuiabá, 
e saber finalmente se vale a pena voltar. Eu sou meio tapada, então tudo o que sofri lá foi se apagando 
da minha memória à medida que os dias foram passando por aqui. - principalmente depois de estar tanto 
tempo com o meu moço. - Só foram restando os momentos divertidos, as experiências novas e principalmente 
o dinheiro que ganho lá. Porque sinceramente, apesar da maravilha que é estar cercada dos queridos, 
poder sentir todos os dias o cheirinho de casa, e estar sob o céu perfeito que só existe na Cidade Mágica,
viver aqui é difícil pra caralho. Existem sapos que eu preciso engolir aqui, que eu não precisei engolir 
em nenhum outro lugar. Sei que sou a rainha do mimimi, e que as vezes pareço ter 13 anos, mas é da minha 
natureza fugir de situações que me deixam com nó na garganta. E ter quase 23 anos, não estudar e ainda 
viver na casa dos pais, é o cúmulo pra minha família inteira. O tratamento diferente que eu sempre tive
por ser alguém diferente do que todos eles são, é percebido por mim desde os meus seis anos. E isso 
porque eu não me lembro de muitas coisas antes disso. Eu amo arte, caramba. Eu amo arte, e seria inútil e 
infeliz em qualquer outra área. Além disso sou perdida e tenho dificuldades de me encontrar e de, sozinha, 
me encaixar e focar em algo que eu dê a certeza que vai ter de mim toda a minha força e atenção. Quase
impossível, eu diria. Só que ninguém pode negar que estou me esforçando. Acontece que eles conseguem de 
mim, mais nós na garganta do que todas as músicas sertanejas escutadas diariamente no MT. Pode não ser 
uma comparação tão equilibrada pra você, querido que me lê. Mas veja bem, quem sabe dos meus nós sou eu. 
E é por isso que tudo está sendo medido, pesado e catalogado. Ninguém pode imaginar o embrulho que está na 
boca do meu estômago agora, aparentemente por uma bobeira. E é por isso mesmo, que não vai fazer sentido 
pra ninguém se de repente eu pegar as minhas malinhas e voltar pro meu inferninho particular, mais 
conhecido como Cuiabá. 


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